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Relatos - vítimas

Atualizado: 17 de abr. de 2021

Após algumas pesquisas, e entender que hoje a violência doméstica é considerada uma pandemia, um problema que atinge o mundo todo independente de classe social e raça, fui atrás de algumas histórias que podem retratar um pouco mais sobre o que esse site se trata. Porque é tão importante falar sobre esse assunto?

A história a seguir é a da Débora Valentim, 23 anos, empreendedora. Onde viu sua mãe sofrer agressão física e verbal de dois relacionamentos diferente – pai e padrasto -, ela conta como foi passar por tudo isso.

A entrevistada deixa claro que a vítima dependia financeiramente do agressor, concluindo mais uma vez que as mulheres que dependem do homem para se sustentar estão mais propicias a sofrer violência doméstica. A mãe dela nunca chegou a denunciar nenhum dos dois por medo de ser vítima do feminicídio, porém ela acredita que a justiça divina é bem satisfatória.





- Já faz 17 anos do ocorrido. Quando eu tinha 6 anos meu pai abandonou minha mãe e eu. Mas antes disso ele a agrediu diversas vezes verbalmente, algumas eu presenciei, outras ela me contou. Ela era dona de casa, não trabalhava e sempre dependeu financeiramente dele, então todas as vezes que ela precisava de algo tinha que pedir, e aí ele aproveitava para humilhar ela. Dizia coisas como "você só me dá gastos", "quer dinheiro pra arrumar o cabelo por quê? Não vai adiantar nada nessa cara feia", "você só presta pra me pedir dinheiro". Minha mãe me conta que certa vez ela pediu dinheiro pra comprar um tênis pra mim, ele pegou a carteira e jogou no rosto dela, caiu no chão e ela ajoelhou pra pegar e ele deu um chute nas costas dela. Eu lembro de uma vez que ele tava cortando lenha no quintal e correu atrás dela com o machado na mão, dizendo que ia arrancar a cabeça dela fora, pois minha mãe descobriu que ele estava sendo infiel. Logo depois ele foi embora com a amante e não tivemos mais notícias.

Já abordamos que há diversos gatilhos para que a violência doméstica aconteça, como a bebida alcoólica, é perceptível que enfrentar o agressor também entra nessa lista. A partir do momento em que a mulher questiona o homem de alguns posicionamentos ou de certas atitudes, como ter um caso fora do casamento, ela se coloca numa posição igual ao homem, o que não é aceito por eles.

- Eu tenho um irmão de 14 anos, fruto do segundo casamento da minha mãe. Casamento esse que também foi cheio de violência. Esse meu padrasto bebia muito, e chegava em casa muito alterado. Batia em mim e no meu irmão que era um bebê. Jogava copos e pratos de vidro em minha mãe, quebravam e ia estilhaços de vidros por toda a casa, ficávamos dias limpando pra recolher os vidros. Ele dava murros na cabeça da minha mãe, dizia ele que era pra "não deixar marcas". Minha mãe pediu o divórcio, mas nunca houve denúncias.”

Apesar de não denunciar, a vítima conseguiu se casar novamente com um homem que a trata de forma digna, e conseguiu se livrar das amarras da violência doméstica. Débora conta que seu pai continua sem família e entrou em depressão, mas ela não tem contato com ele, já seu padrasto foi internado por alcoolismo no ano passado.






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